terça-feira, 10 de agosto de 2010

Tem manual?

Ser fruto de um mundo altamente ceticista, mecanicista, tecnológico pode trazer malefícios. Filhos de uma geração informatizada e globalizada, onde informação é a base de tudo estamos sempre a procura dos porquês da vida.
Porquê sinto isso, porquê ele fez aquilo, porquê ele é assim...
São tantos porquês que às vezes esquecemos que muitos deles não têm razão, nem de pergunta nem de resposta. Por algum motivo, que ainda não desvendei o porquê, sinto verdadeira necessidade de explicar tudo e todos em minha vida, sentimentos e ações, meus e deles. Distinguir quando devemos questionar e quando devemos de coração aberto aceitar é um passo ainda não dado. 
Nem o não da mamãe na infância vinha isoladamente e sim, acompanhado, sempre, de um "por que não?".
Hoje penso que essa necessidade influencia diretamente as minhas relações, especialmente as afetivas, já que são essas que muitas vezes acontecem sem um porquê. Questões do coração, da emoção, nunca têm uma verdadeira razão para acontecer... Quantas vezes atitudes são tomadas e seguidas da clássica pergunta: "por que fiz isso?" ou "por que disse isso??". Não há um porquê. Há emoção, há sentimento, e muitas vezes isso não se explica.
No divã, muitas vezes pergunta-se: mas por que ele fez isso, só quero entender por que ele age assim, por que ele é assim!!! E no divã muitas vezes responde-se: porque ele É assim. Você não precisa entender, você não tem que entender. Ele simplesmente É...
Essa é grande questão e dificuldade da história, aceitarmos o outro como ele é, mas também sabermos questionar no outro o que deve e pode ser questionado, sem trazer à tona justificativas tolas para toda e qualquer atitude, positiva ou negativa.
Não é porque amamos que devemos fechar os olhos para tudo. Devemos sim, abrir o coração.

2 comentários:

  1. Nossa, como você anda complexa ultimamente! só faz pergunta difícil...
    Quando a gente insiste em sempre procurar explicação, basta olhar pro céu e imaginar que estamos em um planetinha insignificante perto de milhares de outras galáxias, constelações e estrelas... Aí, percebemos que há tanta coisa sem explicação, muito além de nós, que seria injusto pedir a seres tão pequenos e, inexplicavelmente, rs, grandiosos, coerência...
    Até que ponto vamos suportar a incoerência e suas dimensões no outro? Aí vamos apelar, como sempre, para o coração... é ele quem deve responder, mesmo sem saber explicar o por quê...
    bj

    ResponderExcluir
  2. Nossa, como eu tava brega ontem!!! Apelar para o universo é sempre um risco... mas foi de coração, amiga, acredite! rs

    ResponderExcluir