sábado, 31 de julho de 2010

" O gosto bom que o oposto tem..."


"Todos caminhos trilham pra a gente se ver
Todas as trilhas caminham pra gente se achar, né
...
Você passa, eu paro
Você faz, eu falo
Mas a gente no quarto sente o gosto bom que o oposto tem
Não sei, mas sinto, uma força que embala tudo
Falo por ouvir o mundo, tudo diferente de um jeito bate"

  Entender o que sentimos, por que sentimos e por que sentimos por aquela pessoa pode ser tarefa muito difícil. Talvez mais valha a pena simplesmente sentir e viver tudo o que esses opostos podem oferecer um ao outro.
Um gosta de rock, o outro de pagode, um come salada, o outro feijoada, um acorda às 10h o outro às 6h, mas mesmo assim momentos de plena felicidade foram vividos. 
A grande questão em relacionamentos assim é: será que as diferenças pesarão em algum momento ou será que o importante mesmo é ter a maturidade para administrar as diferenças?
Mas seriam apenas diferenças? Um quer voar alto, o outro também, um ama reunir os amigos para falar bobagens, o outro também, um quer estar sempre ao lado, o outro também, um é "cabeça-dura", o outro também, um cozinha muito bem, o outro... digamos que ajuda, um se sente feliz protegendo, o outro se sente feliz protegido, um faz carinho, o outro busca o carinho, um ama, o outro também.

Depois de pensar, observar e sentir, outra pergunta que passa a martelar na cabeça e no coração é: serão mesmo as diferenças tão grandes e determinantes assim? E se sim, até que ponto??

Será que não basta amar e "administrar" da melhor forma possível diferenças que podem levar a um amadurecimento mútuo??

Quem souber a resposta levanta a mão....

terça-feira, 6 de julho de 2010

Talvez apenas uma ausência

Morte. Como passar por ela? Tudo depende de como se encara essa etapa. Para alguns uma passagem, para outros uma perda, para outros tantos um recomeço.
Normalmente essas perspectivas estão diretamente ligadas à religião, o que pode facilitar ou prejudicar a fantástica arte do consolo.

Mas uma perspectiva é senso comum: a ausência. Independente de religião ou credo a morte significa perda, mas cabe a partir da noção particular de cada um encarar essa perda como definitiva ou temporária. Como dor ou como fluxo natural da vida de todos os seres.

O que dizer, como agir, quando dizer. Questões importantíssimas quando temos uma pessoa muito querida passando por um momento, que ao menos para ela, pode ser tão difícil.

De uma maneira ou de outra, o que sempre temos a consciência é que tudo que o outro precisa é saber que, tanto você quanto as outras pessoas que o rodeiam, serão seus alicerces por um período.

Decididamente ouvir “estou aqui sempre que precisar”, ou “me diga o que posso fazer para você e por você” é muito melhor do que dizer eletrodomésticos pifam.

Ausência (Carlos Drummond de Andrade)

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.